terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cidadania mercadológica na cidade que se diz maravilhosa

"E o Estado retomou os territórios antes ocupados pelo Tráfico", essa é a mensagem de ordem na impressa brasileira. Mas o que se oculta são as razões de tal ação só ter ocorrido agora, décadas depois de uma omissão historicamente generalizada.

Mas eis a razão desvelada: O Rio de Janeiro deve sediar olimpíada e copa do mundo sob a exigência de demonstrar primordialmente segurança aos atletas e torcedores envolvidos.

Exigência de mercado hoje atendida, exigência cidadã ontem negada, esse é o paradoxo de nossa pálida democracia, que cuida das minorias em detrimento das maiorias.

E a população carente e inocente para tais questões de fundo segue alardeando seus heróis de ocasião, os mesmos que durante anos representou o braço opressor dos socialmente incluídos! Eis o Brasil!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Homem na Multidão: mais ela do que ele

Para Ortega y Gasset, a multidão passava despercebida em um contexto onde o homem era o protagonista do seu próprio drama; contudo, na modernidade, o protagonista homem saiu de cena e em seu lugar surgiu o coro da multidão.

Nela, não se tem mais espaço para a inovaçao, apenas para a mesmice; a burocracia heterônoma ocupa o lugar da política autônoma, surge o império da mediocridade e desmorona o reino do talento.

Não é de estranhar que esse quadro esteja diante de nosso olhos atualmente. Interessante notar como a padronização é a regra e a singularidade, a exceção.

Em um contexto de presente eterno, o passado não retorna como lembrança, nem sequer o futuro surge como esperança.

Ludibriado com imagens e slogans que vendem a hiper-realidade da inovação e do progresso, o ser massificado moderno resignina-se com os passos que não dá como se caminhar pudesse.

Para saber mais: ORTEGA y GASSET, José. A rebelião das massas. São Paulo: Martins Fontes, 2002.