quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Trocando alho por bugalhos: mais problemas midiáticos

Todas as manchetes anunciam o momento de horror ocorrido no mundo de fantasia: "Treinadora é morta por baleia no parque Seaworld".

Dois problemas surgem e sobre ele refletiremos:

1º Problema lingüístico: Orca não é Baleia!

Nome Científico: Orcinus orca
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Cetacea
Subordem: Odontoceti
Família: Delphinidae
Género: Orcinus
Espécie: O. orca.

A orca em questão chama-se Tilikum, é uma fêmea e pesa cerca de 5,5 t. Sua vítima, a treinadora  Dawn Brancheau, tinha mais de 20 anos de experiência e durante16 anos dedicou-se ao trabalho junto aquela que cousou seu óbito inexperado.

Essa espécie de golfinho, dentre as 35 que existem, é a única espécie do gênero Orcinus, possui cerca de 10 a 14 dentes em cada lateral da mandíbula, resultando num total de 40 a 56 dentes com o tamanho aproximado de 7.6 cm e 2.5 cm em diâmetro.

Durante um ataque, esse mamífero pode alcançar a velocidade de 55 km/h, saltar cerca de 1 m fora da água, projetando-se cerca de 12 m de distância até voltar a tocar a superfície da água, característica que o coloca no topo da cadeia alimentar oceânica.

O registro de ataques aos seres humanos em ambiante selvagem em negativo, sendo positivo quanto aos ataques em cativeiro, com sobrevida ou não da vítima.

Em 1991, um grupo de orcas foi responsável pela morte de uma treinadora, Keltie Byrne, em Sealand, Victoria, na Colúmbia Britânica;

Em 1999, no parque SeaWorld em Orlando, Florida, uma orca matou um turista que adentrou clandestinamente em seu tanque;

No final de Julho de 2004, durante um espetáculo no parque SeaWorld, em San Antonio, Texas, uma orca empurrou o seu instrutor (com dez anos de convívio) para debaixo de água, impedindo-o de atingir a borda da piscina. Funcionários do parque conseguiram resgatá-lo com vida;

Em Agosto de 1989, uma fêmea dominante chamada de Kandu V mordeu uma orca recém-chegada ao parque chamada de Corky II durante um espetáculo aquático. A investida provocou a fragmentação do maxilar da orca atacante e o corte de uma artéria causando 45 minutos de hemorragia até seu óbito.

Esse último dado nós reporta ao segundo problema.


2º Problema ecológico: Tanque não é oceano!

Solidão, pouco espaço, atividades repetitivas, exposição a um grande número de pessoas e e a um grande índice de decibéis, com esse somatório de situações anti-naturais parace razoável que o registro de ataques de Orcas aos seres humanos seja positivo apenas no ambiente de cativeiro.

Note-se que em liberdade, seu comportamento está baseado em quatro atividades diárias: busca de alimento, viagem, descanso e socialização. Evidentemente, não podendo realizá-las em cativeiro pode-se razoavelmente perceber o grau de stress ao qual tais mamíferos cativos estão compulsoriamente submetidos.


Resumo da ópera: Precisamos evitar "trocar alhos por bugalhos", tanto em sentido linguístico quanto em sentido ecológico, pois nem orca é baleia, nem tanque é oceano.


Fonte dos dados biológicos: http://www.saudeanimal.com.br/orca.htm.
Fonte dos dados estatísticos:http://www.achetudoeregiao.com.br/ANIMAIS/ORCA.HTM.

4 comentários:

  1. Legal esse post, é isso mesmo... e é muito comum as coisas serem sempe trocadas e equivocadas!

    Abração

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  2. Valeu, Mr. Bluz

    A linguagem é nosso mundo comum, mas as gramáticas nos tornam estranhos em terras estranhas.

    Abraçõs, saúde e paz!

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  3. Querido professor Pablo Falcão,
    Tive uma grata surpresa semana passada quando conheci um professor que em alguma coisa lembrava-me o senhor, então perguntei se ele era seu amigo e ele logo confirmou, também rapidamente passou um "trabalhinho" que acredito, dará umas 15 laudas, hahahah. ah, o nome dele é Adilson Ferraz. Um forte abraço e mais SUCESSO.
    Marcos José, ASCES.
    OBS: Caso possa apareça, viu.

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