quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

A The BLUZ mostra o seu novo BLUES

Gravado no Martins Studio (Caruaru-PE), mixado e masterizado no Oversonic Studio (São Paulo - SP) e produzido e editado pela Ipojuke Records (Caruaru-PE), MississiPE mostra como uma banda pernambucana pode dialogar inspiradamente com os sons do delta americano.

Compondo em inglês e português, a The Bluz, formada por Joanatan Richard (letras, vocais, guitarra, slide e vilão), Jarbas Filho (baixo), Bruno Felipe (bateria) e Alexandre Rasec (teclados), leva o Ipojuca ao Mississipi e trás o Mississipi ao Ipojuca sem deixar o cantil derramar, mostrando assim como está preparada para o mercado internacional.

Com as participações especiais de Lancaster, Jefferson Gonçalves, Giovanni Papaléo, Boy, Marcelo Neves, Rodrigo Morcego, Lucivan Max e Alexandre Morais, a banda demonstra como está devidamente inserida no cenário nacional.

Com 12 faixas prensadas em alta fidelidade e com o preço democrático de R$ 5,00 impresso na capa, o cd, que vem pintado como um velho e saudoso vinil, tem tudo para fazer parte das cdtecas dos amantes da boa música, independentemente de estilos.

Recomendo sem moredação!

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Liminar do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF-5) alega inconstitucionalidade do exame nacional da OAB

A questão é antiga e a liminar em questão nos faz refletir:

É sabido que o curso de formação superior em Direito é generalista em bacharelado e que a exigência do exame da OAB é de saber especializado em advocacia, o que faz surgir um paradoxo: cobrança de especialização após formação geral.

Ora, se a OAB faz por meio de seu exame nacional exigência de saber especializado, deveria antes oferecer uma especialização em advocacia, já que não parece razoável tanto cobrar de quem não tem, quanto cobrar sem oferecer.

Mas se é assim, para que serve a formação geral do bacharelado em Direito? Se não forma para a advocacia, igualmente não forma para o Ministério Público, para a Magistratura e para tantas outras funcões.

Isso nos leva para a questão da qualidade do ensino jurídico no Brasil: profusão desmedida de cursos, inexistência de seleção no vestibular para as IES privadas, preocupação discente majoritariamente quanto aos concursos públicos, viés de ensino dogmatizado e dogmatizante, bem mais técnico e tecnicista do que jurídico, dentre outros aspectos não menos preocupantes.

Resumo da Ópera: O Direito no Brasil é complexo pois não se sabe nem o que é, nem para que e a quem serve!

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Morre Luis Alberto Warat: grande lacuna na jusfilosofia contemporânea

Com um texto breve, a família comunica em seu blog a ausência que será sentida por todos os que estudam jusfilosofia.

Escritor polêmico, introduziu o sentimento em uma seara repleta de pretensa objetividade.




LAW


Lamentamos informar que Luis Alberto Warat no está más con nosotros.

16/12/2010

Casa velatoria: Malabia 1662 - Palermo Ciudad de Buenos Aires

A partir de las 19 hs. de hoy jueves 16/12.


Familia Warat

Disponível em: http://luisalbertowarat.blogspot.com/

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Cidadania mercadológica na cidade que se diz maravilhosa

"E o Estado retomou os territórios antes ocupados pelo Tráfico", essa é a mensagem de ordem na impressa brasileira. Mas o que se oculta são as razões de tal ação só ter ocorrido agora, décadas depois de uma omissão historicamente generalizada.

Mas eis a razão desvelada: O Rio de Janeiro deve sediar olimpíada e copa do mundo sob a exigência de demonstrar primordialmente segurança aos atletas e torcedores envolvidos.

Exigência de mercado hoje atendida, exigência cidadã ontem negada, esse é o paradoxo de nossa pálida democracia, que cuida das minorias em detrimento das maiorias.

E a população carente e inocente para tais questões de fundo segue alardeando seus heróis de ocasião, os mesmos que durante anos representou o braço opressor dos socialmente incluídos! Eis o Brasil!

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Homem na Multidão: mais ela do que ele

Para Ortega y Gasset, a multidão passava despercebida em um contexto onde o homem era o protagonista do seu próprio drama; contudo, na modernidade, o protagonista homem saiu de cena e em seu lugar surgiu o coro da multidão.

Nela, não se tem mais espaço para a inovaçao, apenas para a mesmice; a burocracia heterônoma ocupa o lugar da política autônoma, surge o império da mediocridade e desmorona o reino do talento.

Não é de estranhar que esse quadro esteja diante de nosso olhos atualmente. Interessante notar como a padronização é a regra e a singularidade, a exceção.

Em um contexto de presente eterno, o passado não retorna como lembrança, nem sequer o futuro surge como esperança.

Ludibriado com imagens e slogans que vendem a hiper-realidade da inovação e do progresso, o ser massificado moderno resignina-se com os passos que não dá como se caminhar pudesse.

Para saber mais: ORTEGA y GASSET, José. A rebelião das massas. São Paulo: Martins Fontes, 2002.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Editora Universitária UFPE divulga meu primeiro livro






Título: Deformidade Fetal Grave e STF: Entre as Retóricas da Vida e da Dignidade

Autor: Pablo R. de L. Falcão

Número de Páginas: 181

Assunto: Filosofia do Direito / Nascituro

Preço: 20,00 (na biblioteca da ditora)

ISBN: 978-85-7315-741-7

Ano: 2010



Orelhado pelo Prof. Dr. Alexandre Maia (UFPE), prefaciado pelo Prof. Dr. João Maurício Adeodato (UFPE) e apresentado pelo Prof. Torquato Castro Jr., este livro já se auto-promove. Mas não é a presença de nomes de peso, e sim o conteúdo do livro que o coloca como referência nos estudos do Direito.

Lidando com uma questão extremamente delicada, o nascituro e sua representação no direito brasileiro, o autor demonstra extrema maturidade intelectual ao evitar maniqueísmos ou “conceitos antitéticos assimétricos” e ao assumir uma posição menos comprometida com a defesa de uma das diferentes vertentes que buscam versar sobre o tema, e sim mais comprometida com a exposição de pontos de vista diversos.

Lidando com dimensões várias, desde a religiosa até a neurocientífica, o autor constrói sua argumentação a partir da compreensão de direito advinda da hermenêutica diatópica de Boaventura de Sousa Santos. Este livro é a imprescindível publicação da dissertação de mestrado do autor (agora doutorando) em Teoria Geral e Filosofia do Direito, e é indicado a todos os que têm interesse nas questões que envolvem o nascituro e seus direitos.


Disponível em:

terça-feira, 13 de julho de 2010

13 de Julho: O DIA MUNDIAL DO ROCK

Desde o LIVE AID de 1985 - Festival realizado por Bob Geldof pelo fim da fome na Etiópia, realizado simultaneamente na Filadélfia (EUA) e em Londres (Inglaterra) e arrecadou cerca de 60 milhões de dólares - que o dia 13 de Julho é conhecido como o DIA MUNDIAL DO ROCK.

O rock and roll é um estilo musical nascido nas terras do Tio Sam entre o final dos anos 40 e início dos anos 50 do século passado e que tem como característica fundamental uma batida blues-boogie-woogie com um contratempo acentuado ou uma batida jump-blues, geralmente levado por um trio de guitarra, baixo e bateria. Suas origens musicais remontam ao gospel, ao folk e ao blues americanos, posteriormente pitadas de country e jazz fizeram parte dessa saborosa e irresistível receita sonora.

Popularizado de forma vertiginosa nos EUA, em especial por Elvis Presley, atravessou o atlântico e aportando nas terras da Rainha de lá espalhou-se pelo mundo, em especial pelos Beatles, influenciando a linguagem e a estética de todo o globo até os dias de hoje, pois ...

... os rockeiros passam, mas o rock and roll continua de passagem!






quinta-feira, 1 de julho de 2010

Saramago e Epicuro: aproximações

O escritor português José Saramago morreu aos 87 anos no dia 18 de Junho de 2010 em decorrência de debilidade respiratória causada pela leucemia.

Sua obra inclui dois clássicos da literatura contemporânea: "O evangelho segundo Jesus Cristo" e "Ensaio sobre a cegueira". Sua produção literária lhe valeu dois importantes prêmios: o "Prêmio Camões" (nacional) em 1995  e o "Nobel de Literatura (internacional) em 1998.

Seu estilo foi marcado pelos longos capítulos e pela pouca pontuação. Unindo a crônica com a crítica social tornou-se referência obrigatória para os amantes das letras portuguesas.

Cético tornou-se ateu, descrente tornou-se pessimista, desencantado filiou-se ao comunismo político. Algumas passagens de seu discurso são exemplares dessas opções pessoais:

Saramago Cético: "Mesmo que a rota da minha vida me conduza a uma estrela, nem por isso fui dispensado de percorrer os caminhos do mundo";

Saramago Ateu: "Não sou um ateu total, todos os dias tento encontrar um sinal de Deus, mas infelizmente não o encontro";

Saramago pessimista: "Estamos afundados na merda do mundo e não se pode ser otimista. O otimista, ou é estúpido, ou insensível ou milionário";

Saramago comunista: "A carne é fraca e os políticos são feitos de carne. No momento em que o cidadão renuncia a intervir na vida política do país, o poder real escapa-lhe das mãos".

Mas o que pouco se notou foi o Saramago aproximado de Epicuro, mais uma vez passagens dos discursos desses dois escritores pode demonstrar essa proximidade:
Epicuro: "A morte é o fim de todas as sensações, pois quando existimos, não há morte, e, quando a morte chega, não mais existimos".

Saramago: "não temo a morte, pois se sou, ela ainda não é, e quando ela for, não serei mais".

Para Epicuro de Samos (341 - 269 a.C.), a felicidade adviria de um prazer sabiamente administrado, pois aquele que mostra-se capaz de ter domínio racional sobre as emoções conquista a quietude da mente.

Saramago deixou serenamente a morte chegar, assim como deixou serenamente de ser, demonstrando assim sua verve epicurista.










Para saber mais:

http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/busca/busca.asp?palavra=saramago+biografia&tipo_pesq=titulo&sid=77813321112627384472413439&k5=36239363&uid=&limpa=0&parceiro=TIIIXE&x=29&y=10

http://www.mundodosfilosofos.com.br/epicurismo.htm




quinta-feira, 10 de junho de 2010

"Olho por olho e o mundo restará cego" - M. Gandhi

Recebi um e-mail intitulado "Todos os estrupadores e pedófilos deveriam receber esse "prêmio"‏, nele havia um arquivo de vídeo com a denominação de "Estruprador.wmv" e um texto que informava o ocorrido:

"O caso aconteceu no Maranhão (Bacabau), onde um indivíduo foi pego em flagrante com menores no interior de sua casa.O mesmo já tinha sido preso por estupro e na região onde morava quatro mulheres tinham sido espancadas e violentadas.Uma das mulheres o reconheceu como sendo o autor da violência sexual da qual foi vítima" 

seguido pela opinião do seu autor: 

"tem mais é que se f.... mesmo".

Depois de passado o mal estar provogado pela visualização da mensagem eletrônica, lembrei do equilíbrio da frase do saudoso lider espiritual indiano que intitula esse post e nela encontrei alento.

Pois bem, a primeira vantagem do Estado de Direito é a de, civilizada e humanitariamente, permitir aos seus órgãos judicantes julgar as condutas humanas delituosas segundo os regramentos legais positivados e não segundo o senso de justiça do momento.

A segunda vantagem do Estado de Direito é a de demonstrar aos indivíduos respeitosos à lei que aqueles que são perante ela desrespeitosos, independentemente da gravidade do delito que tenham praticado, serão destinatários do direito de defender-se de forma legítima e ampla contra o arbítrio desarrazoado de seus julgadores.

A terceira vantagem do Estado de Direito é o de fornecer parâmetros objetivos para  o estabelecimento da espécie e do quantum da pena, quando observa o delito segundo a generalidade da regra legal, deixando ao juiz apenas a necessária equalização diante das perticularidades do delito cometido.
Em suma, o juiz não é um carrasco, pois só um carrasco poderia julgar ser a pena  em sua gravidade, maior que o delito cometido; só um carrasco poderia julgar tal pena segundo o seu senso de justiça, gravemente modificado diante da emoção que o atinge quando posto diante do mesmo; só um carrasco poderia tratar particularmente e desmedidamente o delito e, da mesma forma, sua respectiva pena. 

Resumo da ópera: Não se pode pagar olho por olho, a não ser em um mundo de cegos, posto que, se antes tinham olhos mas não conseguiam ver, agora que não os tem, continuarão tatiando no escuro de suas animalidades.
PS. Mahatman Gandhi era bacharel em direito e exerceu a advogacia na Inglaterra imperial, nação que oprimiu o povo indiano por décadas. Mesmo sendo vítima de seus carrascos, Gandhi acalmou sua alma e sereno empreendeu sua ética da não violência, não querendo para aqueles que lhe causavam o mau, nem mesmo um mau igual, quanto mais, um mau maior. Um exemplo de judicância prudente a ser seguido mesmo diante de carrascos como estrupadores e pedófilos.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Cranberries em Agosto de 2010 no Recife

Confirmada no site oficial da banda http://www.cranberries.com/tour.asp a data do show na capital pernambucana para alegria de todos que curtem o som da banda irlandesa.

O Cranberries tinha dado uma parada em suas atividades em 2003 devido a necessidade de sua vocalista, guitarrista, decladista e letrista, Dolores O'riordan, de dar atenção as suas crias solo, biológica e fonográfica.

Em maio de 2007 foi lançado o álbum Are You Listening?, escrito integralmente pela vocalista, uma espécie de registo fonográfico de seu diário pessoal.

O retorno com  o Cranberries só ocorreu em 2009, seguido de uma turnê orfã de um novo registro em estúdio.


A vinda ao Recife segue essa turnê. Fica a espectativa de que eles apresentem no palco material ainda inédito em estúdio.

Vale a pena conferir!

Vídeo clip da música Star para quem não conhece e quem gosta da banda:

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Frango não é Galinha ou sobre a mutação lingüística dos significados de certos significantes

Interessante notar que a reflexão filosófica sobre a linguagem pode ter origem nos âmbientes mais inusitados. Um dia desses estava para almoçar com umas amigas. Enquanto a refeição era finalizada uma delas indagou: 
- quanto a carne, é frango ou galinha?  Depois de um breve silêncio, espantados indagamos em uníssono: - mas qual é a diferença? Nossa amiga retrucou: - como frango, mas não como galinha! Gargalhadas a parte, indaguei: - Por favor, pode explicar os seus significados para os significantes frango e galinha? Ela prontamente atendeu meu pedido. Como não lembro as palavras utilizadas, vou no sentido que a memória preservou: para ela, o significado de galinha tem por requisito a forma da ave, já o de frango tem por requisito a sua não forma de ave, ou seja, in natura toda ave é significada pela expressão galinha, contudo, quando processada, toda ave passa a ser significada pela expressão frango.

O que pode ser notado nessa ocasião é um processo de suma importância para a Filosofia da Linguagem, ou seja, os modos como o mesmo significante começa a sofrer o impacto da contingência de seus possíveis significados.

Historicamente um processo análogo ocorreu na Grécia do Século V a.C. Com a instabilidade causada pela Guerrra do Peloponeso entre Esparta e Atenas (431 a 404 a.C) e agravada com a morte de Péricles , líder e modelo de estadista ateniense (429 a.C.), as bases axiológicas do homem grego de então (aristocrata, ruralista e tradicionalista) passaram a ser contestadas pelo condidato rival (burguês, urbano e contestador), influenciando o processo de significação para os significantes correntes, levando a um giro copernicano quanto ao valor das expressões divinas e profanas. De repente o que era dos céus veio a terra e o que era mudano elevou-se ao cósmos. Por exemplo, o ideal divino de justiça valorado positivamente pela força da tradição em épocas de paz passou a ser tachado de antiquado e paulatinamente substituido pelo referencial humano de lei agora positivamente valorado pela força das necessidades imediatas de uma época pós-bélica.

Enteder esse processso é importantíssimo para compreender nossa visão de mundo e nossas formas de ação segundo ela, o que não se dá fora e sim dentro de um contexto linguístico. Nesse sentido, entender porque frango pode ou não ser significado enquanto sinônimo de galinha deixa de ser um momento cômico para se revestir de importância filosófica.



domingo, 2 de maio de 2010

Dica de cinema: Chico Xavier

Ele foi uma figura única em seu contexto histórico-social. Espírita em um país católico, exemplificou a ética do cristo frente a intolerância do cristianismo. Oferecendo a outra face e sorrindo sempre, calou todos os ataques com sua ação pacifista e amorosa.

Tendo sua estréia em 02 de Abril de 2010, a película já foi vista por 2.005.072 espectadores, com uma renda de 2,1 milhões de reais, correspondente ao número de 248 mil pagantes, se firma como o grande sucesso de bilheteria do ano.

Com produção e direção de DANIEL FILHO e tendo no elenco famosos como  NELSON XAVIER como Chico Xavier (1969/1975), ÂNGELO ANTÔNIO como Chico Xavier (1931/1959), TONY RAMOS como Orlando, CHRISTIANE TORLONI como Glória, GIULIA GAM como Rita e LETÍCIA SABATELLA como Maria, e anônimos que são belas surpresas, MATHEUS COSTA como Chico Xavier (1918/1922) e ANDRÉ DIAS como Emmanuel, o filme é um projeto vitorioso também para os espíritas, suprindo a espectativa não cumprida do anterior Bezerra de Menezes: o diário de um espírito, que possuia uma narrativa lenta que pontuou negativamente, embora tenha alcançado um público de 330 mil pagantes.

Se estiver com tempo livre, recomendo que vá dar uma conferida, não há como não disfrutar bons momentos diante da grande tela.



quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Trocando alho por bugalhos: mais problemas midiáticos

Todas as manchetes anunciam o momento de horror ocorrido no mundo de fantasia: "Treinadora é morta por baleia no parque Seaworld".

Dois problemas surgem e sobre ele refletiremos:

1º Problema lingüístico: Orca não é Baleia!

Nome Científico: Orcinus orca
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Cetacea
Subordem: Odontoceti
Família: Delphinidae
Género: Orcinus
Espécie: O. orca.

A orca em questão chama-se Tilikum, é uma fêmea e pesa cerca de 5,5 t. Sua vítima, a treinadora  Dawn Brancheau, tinha mais de 20 anos de experiência e durante16 anos dedicou-se ao trabalho junto aquela que cousou seu óbito inexperado.

Essa espécie de golfinho, dentre as 35 que existem, é a única espécie do gênero Orcinus, possui cerca de 10 a 14 dentes em cada lateral da mandíbula, resultando num total de 40 a 56 dentes com o tamanho aproximado de 7.6 cm e 2.5 cm em diâmetro.

Durante um ataque, esse mamífero pode alcançar a velocidade de 55 km/h, saltar cerca de 1 m fora da água, projetando-se cerca de 12 m de distância até voltar a tocar a superfície da água, característica que o coloca no topo da cadeia alimentar oceânica.

O registro de ataques aos seres humanos em ambiante selvagem em negativo, sendo positivo quanto aos ataques em cativeiro, com sobrevida ou não da vítima.

Em 1991, um grupo de orcas foi responsável pela morte de uma treinadora, Keltie Byrne, em Sealand, Victoria, na Colúmbia Britânica;

Em 1999, no parque SeaWorld em Orlando, Florida, uma orca matou um turista que adentrou clandestinamente em seu tanque;

No final de Julho de 2004, durante um espetáculo no parque SeaWorld, em San Antonio, Texas, uma orca empurrou o seu instrutor (com dez anos de convívio) para debaixo de água, impedindo-o de atingir a borda da piscina. Funcionários do parque conseguiram resgatá-lo com vida;

Em Agosto de 1989, uma fêmea dominante chamada de Kandu V mordeu uma orca recém-chegada ao parque chamada de Corky II durante um espetáculo aquático. A investida provocou a fragmentação do maxilar da orca atacante e o corte de uma artéria causando 45 minutos de hemorragia até seu óbito.

Esse último dado nós reporta ao segundo problema.


2º Problema ecológico: Tanque não é oceano!

Solidão, pouco espaço, atividades repetitivas, exposição a um grande número de pessoas e e a um grande índice de decibéis, com esse somatório de situações anti-naturais parace razoável que o registro de ataques de Orcas aos seres humanos seja positivo apenas no ambiente de cativeiro.

Note-se que em liberdade, seu comportamento está baseado em quatro atividades diárias: busca de alimento, viagem, descanso e socialização. Evidentemente, não podendo realizá-las em cativeiro pode-se razoavelmente perceber o grau de stress ao qual tais mamíferos cativos estão compulsoriamente submetidos.


Resumo da ópera: Precisamos evitar "trocar alhos por bugalhos", tanto em sentido linguístico quanto em sentido ecológico, pois nem orca é baleia, nem tanque é oceano.


Fonte dos dados biológicos: http://www.saudeanimal.com.br/orca.htm.
Fonte dos dados estatísticos:http://www.achetudoeregiao.com.br/ANIMAIS/ORCA.HTM.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Lula entre críticas: a película do momento eleitoral


O filme "Lula: o filho do Brasil" de Fábio Barreto, baseado na biografia do atual Presidente da República de Denise Paraná, é polêmico na mesma medida em que é intrigante.

Polêmico:

1. Por entrar em cartaz no ano eleitoral da sucessão presidencial quando a candidata do retratado é apontada pelas pesquisas como estando em segundo lugar;

2. Por trazer como patrocinadores várias empresas símbolos do modelo econômico burguês que historicamente o retratado sempre criticou.


Intrigante:

1. Por mostrar a perseverança de um migrante entre tantos milhares de seus pares em sobreviver aos revezes de vários Brasis;

2. Por ressaltar o pragmatismo do retratado forjado nas dificuldades do dia a dia de milhões de brasileiros de norte a sul desse país continental e plural.


Um filme imperdível para críticos que a partir dele poderão formular suas avaliações positivas ou negativas, posto que impossível ficar passivo diante do mesmo.

Recomendado.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

teses e fatos são relatos discursivos


Todos os meus amigos sabem do meu apreço por documentários. Devido ao cronograma apertado do semestre acadêmico, sempre utilizo as curtas férias para apreciar alguns documentários que me chamam a atenção. Fazia isso por meio da locação de DVD's, contudo descobri que o YOUTUBE disponibiliza muitos mais ítens e facilita uma triagem daqueles que nos interessam dos demais.

Hoje tive a oportunidade de compartilhar com minha namorada, Lu Almeida, a audiência do documentário americano intitulado "uma verdade inconveniente", uma produção de 2006, dirigida e roteirizada por Davis Guggenheim e protagonizada pelo Ex-vice presidente dos EUA, Al Gore.

Devido a uma das famosas viroses que acomentem milhares de brasileiros após festejos nacionais, tivemos tempo de sobra para observar e debater acerca do conteúdo da película, já que tanto eu como ela nos interessamos pelas questões ambientais, parte de minhas pesquisas jurídicas e parte das pesquisas contábeis dela.

O que chamou mas a atenção de Lu Almeida foram os dados apresentados pelo protagonista como suporte ao seu discurso, os números eram projetados em uma gigantesca tela de LCD, o que impactava sobre maneira o auditório referente. Esse aspécto em especial chamou minha atenção, devido as minhas pesquisas retóricas.

Em uma dado momento da projeção, Al Gore defende-se contra a mídia e demais políticos anti-ambientalistas descrevendo uma estratégia retórica que "transforma fatos em teses".

Pois bem, isso é retoricamente muito importante, pois fatos, usados enquanto suporte ou justificativas para teses, são para os retóricos relatos discursivos, mas a preocupação do protagonista tem sua relevância quanto ao efeito suscitado no auditório referente.

Veja bem, se apresento uma tese de que "todos os patos voam" e justifico a mesma com dados colhidos durante anos de pesquisa por meio de gráficos que demonstram que "todos os patos analizados realmente voavam" isso fortalece meu relato discursivo perante meu auditório referente.

Em termos de razoabilidade isso não indica que "é verdade" que a tese "todos os patos voam" está justificada e provada para todo o sempre pelos dados de fato apresentados no sentido de que "todos os patos analizados realmente voavam", mas tão somente que aparenta ser razoável aceitar probabilisticamente tal hipótese como tese até que ela venha a ser falseada por novos dados de fato em sentido contrário, afirmando que "ao menos um dos patos analizados realmente não voava",

Caso tão somente apresentasse a tese "todos os patos voam", abriria espaço para uma postura cética qustionadora no seguinte sentido: será? quais são as provas, evidências, fatos que corroboram tal afirmativa?

O que Al Gore denuncia na película é que, tanto a mídia, quanto os políticos anti-ambientalistas, lançam uma onda de relatos de descrédito aos dados apresentados pelos ambientalistas enquanto amparados em fatos, fazendo com que percam efeito persuasivo sobre o auditório referente, restando para esse tão só o relato discursivo da tese "o planeta está aquecendo e os responsáveis somos nós", o que resulta em uma postura cética questionadora do tipo: "será isso verdade?"

Resumo da ópera: teses e fatos são relatos discursivos, contudo seus efeitos persuasivos perante o auditório referente de enunciação variam e tal variação é de sumo interesse retórico.

Recomendamos o documentário.