domingo, 13 de setembro de 2009

Michael Jackson: vida e morte sob análise filosófica de Bernard-Henry Lévi

Você pode questionar: caramba, mais um post sobre o Michael Jackson, já não basta a unanimidade da mídia em eleger esse o assunto mais vendável dos últimos tempos? E eu concordarei em número, gênero e grau, contudo o que faz esse post aparecer aqui é a chance de veicular uma avaliação filosófica da peculiar existência dessa persona tão presente na contemporaneidade.
Bernard-Henry Lévi é um filósofo e jornalista francês que escreve quinzenalmente para uma coluna do badalado The New York Times e, para nossa sorte, o periódico brasileiro Ciência e Vida: Filosofia publicou sua reflexão sobre o "rei do pop" em sua edição de número 38.
Pontuamos que a reflexão original aqui registrada foi acrescida de reflexões própria, o que não poderia ser diferente devido a meu prazer em publicar esse blog.
Para o filósofo, o transcurso entre o berço e o túmulo de Michael Jackson pode ser analogamente nominado de calvário, argumentando em três passos esse conturbado trajeto:
1. MJ desenvolveu um horror das coisas e essas passaram a ser fonte de infecção e pestilência, daí a paranoia de desinfecção representada por luvas, máscaras, guarda-chuvas, etc;
2. MJ desenvolveu, em decorrência do horror pelas coisas, um horror por seus produtores, as pessoas, decorrendo daí a paranóia de uma constante ameaça, daí o auto-exílio em NeverLand, como se Peter Pan pudesse colocar-se a uma distância segura do Capitão Gancho, mas nunca totalmente livre do terror de sua existência constantemente rememorada, bem como a paternidade distanciada constantemente de quaisquer vínculos maternos, a nao ser aqueles decorentes do DNA, a pele branca e os cabelos sedosos e loiros de seus herdeiros;
3. MJ desenvolveu, em decorrência do horror pela pessoas, um horror por sua aparência humana, decorrendo daí um processo contínuo e persistente de despersonificação como indicavam a epiderme despigmentada, o nariz reduzido a uma seta que apontava para longe de seu rosto de feições cada vez mais anguladas, beirando o cubismo, que expressa ao mesmo tempo a perfeição cúbica e a deformidade provocada pela ausência de curvas.
Segundo Lévi, o abandono das coisas levou ao abandono das pessoas e, consequentemente ao abandono de si mesmo. Nesse contexto grotesco, restou a MJ reinventar sua humanidade, mesmo que investindo nua transhumanidade estética e geneticamente modificada, ou sucumbir no caminho dessa reinvenção.
Em 25 de junho de 2009, Michael Jackson morreu em NeverLand, mas durante dois meses teve de esperar, atormentado pela presença do Capitão Gancho, na câmara gélida de um necrotério até que dois meses depois foi do óbito veio a ser sepultado no Cemitério Forest Lawn em Glendale, próximo de Los Angeles.
Resumo da ópera: Longe da terra (LAND), das coisas, das pessoas e de sua aparência humana, nunca (NEVER) mais o Peter Pan amaricano será assombrado por seus inimigos reais e, nesse sentido, NEVERLAND será para sempre seu mundo (MJWORLD). Mas e quanto a presença assustadora de seu inimigo imaginário, o Capitão Gancho? Esta perdurará além túmulo?

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