segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Quanto tempo dura uma vida?

Hoje, 20 de outubro de 2008, Augusto Gabriel, com breves, contudo intensos 8 meses de gestação, deixou sua vestimenta carnal para trás e com um sorriso sereno nos lábios continuou com sua infinita jornada espiritual, enquanto, de forma um tanto paradoxal, aqueles que o esperavam para os tradicionais festejos do nascimento lamentavam-se sobre os por quês dele não ter vivido. Isso fez-me refletir sobre o títuilo acima.

Por efeito da propaganda jurídica que que a vida da pessoa natural e sua decorrente personalidade jurídica começa do nascimento com vida, tendemos a suprimir o tempo gestacional como um período que antecede à vida. Mas o que haveria então no útero? Mesmo que fosse vida parasitária, ainda assim seria vida. Caso se pense em sustentação de oxigênio e nutrientes, esses sustentam uma vida. E por fim, se pensarmos em um conjunto de células, essas também estão vivas. Tudo isso colabora com a afiermação de que há sim vida no período ibntra útero.


Continuando nossas reflexões observamos que muitos homens e mulheres quando desenvolvem à paternidade/maternidade o fazem com o sentido de possuir o filho, ouvidando que somos todos indivíduos, personalidades que por razões variadas aproximam-se de outras, contudo, sem nunca com elas desenvolver uma relação de posse. Esse sentimento distorcido, evidentemente, leva à produção de frases milhares de vezes pronunciadas, mormente quando tais filhos(as) começam a ampliar seu círculo de convivência, tais como: ele(a) está nos abandonando, não liga mais para os pais, sai e nos deixa morrendo de aflição, etc.


Nesse caso, feliz dos pais que como meus cunhados, Denis e Lucilene, pais do pequeno/grande Augusto, o tiveram por perto durante toda sua vida. Alguns como os primeiros, preocupados com o tempo, diriam: não vida ou, no máximo, vida muito breve. Outros, preocupados com a posse falariam em perda. Nós, preocupados com o afeto, parabenizamos a todos: aos pais por serem amorosos e dedicados em tempo integral, ao filho, que além de muito amado, também muito amou.


Moral da história: A vida não tem tempo, mais intensidade, não importa o quanto foi vivida, mais sim o como froi vivida. E, sendo assim, dizemos que se trata de uma história feliz!

domingo, 5 de outubro de 2008

Quem arca com os custos da vitória eleitoral?

Para o bem ou para o mal, a grande "festa" da democracia formal consumou-se na noite desse domingo, 05 de outrubro de 2008.

O questionamento que proponho é o que intitula esse post.


Incontáveis veículos nas ruas, quem arca com os custos do consumo de combustível? Quem arca com os índices de monóxidio de caborno e outros elementos pesados lançados à atmosfera?


Com os custos da agressão ao direito daqueles que não desejam compartilhar dos altos decibéis sonoros da buzinhas e dos sistemas de som automotivos que hoje parecem mais trio-elétricos particulares para coletivização compulsória?


Com os custos do desrrespeito aos direitos daqueles que necessitam, segundo recomendação médica, do salutar silêncio: pacientes em U.T.I.'s, recém-nascidos, doentes do sistema auditivo?


Com os custos do crescimento do índice de dejetos sólidos lançados às vias públicas, nas formas de planfetos e bandeiras de anônimos que, de uma hora para outra, tornaram-se familiares, contudo, igualmente desconhecidos?


O custo é da nação e ela somos nós, todos nós, vencedores, vencidos, não participantes. A sombra do Estado lança sua presença constante sobre todos nós e nos impõe o pagamento.


Amanhã estarei em casa, no conjunto residencial do qual falei no post anterior, lá encontrarei o jardineiro, sim, aquele do qual falei no poste mencinado. Aquele que de tanta dedicação pessoal e gratuíta com o jardim levou-me a acreditar em sua capacidade e prudência similar no trato da coisa pública, crença impedida de concretização já que não sou livre para escolher em quem votar, mas apenas em uma daqueles previamente postos como candidatos.


Eleitores de uma democracia formal são como jardineiros de ocasião: parecem saber cuidar de jardins, parecem preocupar-se com o jardim, diuturnamente, constantemente, intensamente, acompanhando o rítmo lento do trato que permite beleza e aromas. Infelizmente, apenas parecem.
Depois da festa da vitória eles se ocuparão com coisas diuturnas, constantes e intensas, coisas que dizem respeito aos mesmos de forma privada. E o jardim? A coisa pública? Esses ficarão nas mãos dos vitoriosos, afinal os jardineiros de ocasião têem mais o que fazer do que cuidar de jardins.


Moral da história: Tenho de ir tocar a vida, afinal, todos temos de arcar com os custos por longos anos, contados de quatro e quatro, intecalados por dois pleitos eleitorais a cada dois.




sábado, 4 de outubro de 2008

Somos livre para votar em quem acreditamos?

Vamos falar de eleições, contudo, começaremos falando de jogos de tabuleiro para visualizar alguns dilemas de nossa democracia formal.

Tais jogos funcionam da seguinte forma:



a) O tabuleiro funciona como a arena do jogo, o espaço onde os jogadores efetuam seus lances durante as partidas;




b) As peças são os elementos do jogo que permitem a materialização dos lances válidos de cada um dos jogadores;




c) Cada peça tem uma função e cada uma delas participa do jogo limitada por essas funções específicas;




d) Os jogadores articulam estratégias individualizadas para potencializar as funções padronizadas de cada uma das peças; seu objetivo visa um fim, a vitória sobre o adversário em cada uma das partidas.




Agora podemos voltar a falar de eleições. As mesmas funcionam como jogos de tabuleiros nos quais somos eleitores (jogadores), nossa participação é estratégica, visa potencializar cada um de nossos lances válidos (voto) durante cada uma das partidas jogadas (eleições).




O que essa analogia nos faz compreender?




Bem, como eleitores jogadores somos livres para criar estratégias particulares para potencializar as funções padronizadas que nos são impostas pelo jogo. Em outras palavras, podemos escolher livremente nosso voto em um ambiente (tabuleiro) previamente preparado e limitador de nossa liberdade de escolha.




Seguindo tal raciocínio, não posso votar naquele senhor prudente e educado que cuida do jardim do condomínio onde eu moro, pelo simples motivo de que ele não é uma peça válida no jogo eleitoral. Para que ele fosse uma peça válida em tal jogo deveria ocupar-se com os custos de um longo e obscuro processo de triagem que o afastaria daquele jardim, justamente do lugar onde eleb angariou meu respeito, pela educação e prudencia com as quais ele faz vicejar cores e aromas todas as manhãs.




Moral da história: naquele jardineiro eu sou livre para confiar, mas não sou livre para votar! Ah, ia esquecendo, e tal função imposta (votar) continua sendo obrigatória, mesmo que não confie em nenhuma das opções de voto que me são oferecidas. E viva a democracia!