quarta-feira, 21 de maio de 2008

Quando a solução também é um problema

Somos constantemente bombardeados com frases de efeito que apontam o grande problema de nossa civilização como um problema ético. Falar nesse sentido é apontar que o nosso problema é de âmbito axiológico (valorativo), contudo, não problematizar tal afirmação pode fechar nossos olhos para uma outra dimensão do mesmo problema, senão vejamos:

Se o problema é de cunho ético (axiológico/valorativo), a solução compartilhará também essa referência do ploblema, apresentando-se como uma solução de cunho igualmente ético (axiológico/valorativo), o que apresenta uma nova dimensão do problema.


Ora, se digo que meu problema é desidratação (falta de líquido no organismo) e apresento a solução como sendo a hidratação (reposição de líquido ao organismo), não tenho a resposta para uma outra dimensão do problema: que líquido pode solucioná-lo? que quantidade de líquido devo usar?


No mesmo raciocínio, se o problema é ético, sua solução será colocar mais ética onde ética falta, contudo, não tenho resposta para outra dimensão do problema: que ética usar? e em que medida?


O contexto social contemporâneo apresenta-se em matéria de ética bastante complexo, já que, os seres sociais que vivem em sociedades democráticas de direito, ao exercerem seus direitos formais à igualdade e à liberdade, constroem seus próprios parâmetros morais de certo e errado, desde que não sejam proibidos pelo direito ou que aqueles não rivalizem com outros juridicamente obrigatórios. Isso nos leva ao fenômeno da pulverização ética, milhões de padrões morais com autonomia e legitimidade degladeiam-se entre si por uma superioridade sem quantum de adépitos suficientemente capazes para receber a adjetivação de moral social.


Nesse sentido, parece que a solução proposta para o problema também é problemática.


Até breve!


Para saber mais:


Ética In: Revista Discutindo Filosofia. Ano 2. n. 1. Ed. Escala Educacional, 2008.

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