domingo, 25 de maio de 2008

Dica cinéfila: O caçador de pipas

Como compreender algo sem referência de seu contexto histórico-social? Essa nossa limitação surge nesse excelente filme na forma de uma tentativa de conhecer o desconhecido.

A história de duas vidas que se cruzam, seguem em paralelas e depois voltam a se encontrar. Entre reconstruções dolorosas do passado, a consciencia de chances desperdiçadas e a oportunidade de provar o sabor amargo da mudança, guiam a vida de uma das personagens centrais.


Destaque para os diálogos em cinco idiomas, mais uma oportunidade de registrar o calderão cultural que compõe as identidades no Afeganistão de três momentos históricos distintos: o da guerra fria, o da invasão soviética e o da revolução Talibã.


No fim dos anos 70, as personagens principais, Amir e Hassan, filho do seu empregado, são amigos de infância. Hassan é ofendido pelos outros muçulmanos por ser da etnia hazara, considerada inferior, o cinema da cidade, custeado pelo filho do patrão, surge como um refúgio onde os preconceitos étnicos podem ser, momentaneamente, paralisados.


Logo vem a invasão comunista e, em seguida, a revolução Talibã, ambas com suas intolerâncias e atentados contra à liberdade.


A fulga para os Estados Unidos separam ainda mais Amir e Hassan. Anos depois, Amir retorna em uma missão: confrontar-se como estrangeiro em sua própria terra e deixar crescer aquele menino afegão que imaturamente continuou preso aos seus medos de outrora.


O que um estrangeiro pode significar diante dos signos de um contexto que desconhece?


O caçador de pipas parece tão distante da direção do vôo de sua existência, quanto a pipa que rompe o ar acima das nuvens.


Ótimo filme. Imperdível. Até breve!

quarta-feira, 21 de maio de 2008

Quando a solução também é um problema

Somos constantemente bombardeados com frases de efeito que apontam o grande problema de nossa civilização como um problema ético. Falar nesse sentido é apontar que o nosso problema é de âmbito axiológico (valorativo), contudo, não problematizar tal afirmação pode fechar nossos olhos para uma outra dimensão do mesmo problema, senão vejamos:

Se o problema é de cunho ético (axiológico/valorativo), a solução compartilhará também essa referência do ploblema, apresentando-se como uma solução de cunho igualmente ético (axiológico/valorativo), o que apresenta uma nova dimensão do problema.


Ora, se digo que meu problema é desidratação (falta de líquido no organismo) e apresento a solução como sendo a hidratação (reposição de líquido ao organismo), não tenho a resposta para uma outra dimensão do problema: que líquido pode solucioná-lo? que quantidade de líquido devo usar?


No mesmo raciocínio, se o problema é ético, sua solução será colocar mais ética onde ética falta, contudo, não tenho resposta para outra dimensão do problema: que ética usar? e em que medida?


O contexto social contemporâneo apresenta-se em matéria de ética bastante complexo, já que, os seres sociais que vivem em sociedades democráticas de direito, ao exercerem seus direitos formais à igualdade e à liberdade, constroem seus próprios parâmetros morais de certo e errado, desde que não sejam proibidos pelo direito ou que aqueles não rivalizem com outros juridicamente obrigatórios. Isso nos leva ao fenômeno da pulverização ética, milhões de padrões morais com autonomia e legitimidade degladeiam-se entre si por uma superioridade sem quantum de adépitos suficientemente capazes para receber a adjetivação de moral social.


Nesse sentido, parece que a solução proposta para o problema também é problemática.


Até breve!


Para saber mais:


Ética In: Revista Discutindo Filosofia. Ano 2. n. 1. Ed. Escala Educacional, 2008.

sexta-feira, 16 de maio de 2008

A ciência não comprova verdades, apenas aposta em verossimilhanças

Karl Popper (1902-1994), em sua tentativa de encontrar um fundamento para a pesquisa científica, diagnosticou uma falha no método científico que, ao formular regras universais através da observação empírica de situações particulares, valia-se da "indução" para validá-las como regra.

Em outras palavras, da observação de algumas situações particulares, o cientista "aposta" na hipótese de que o que observou "deve" ocorrer em todas as demais situações não observadas.


Isso resulta na tese de que as proposições universais (regras), mais importantes cientificamente do que as situações particulares (observações), não podem ser "testadas em sentido positivo", ou seja, não se tem como saber se as mesmas são verdadeiras. Contudo, Popper propões que as mesmas sejam "testadas em sentido negativo", já que podemos saber se as mesmas são falsas. Como isso se dá?


Bem, é só constatar através da observação uma situação inusitada que desconfirme à regra universalizada pela "aposta" na indução.


Moral da história: O método científico não é garantia de verdade, já que nunca podemos, em sentido positivo, saber se uma regra universal é verdadeira; contudo, tal método pode, ao menos em sentido negativo, nos persuadir de que, se uma regra universal durar um bom tempo às tentativas de refutação pela observação, então ela conquista credibilidade de verossimilhança pela maior probabilidade de não ser falsa!


Para saber mais: ABBUD, Luiz Nelson Macedo. Prova em contrário In: Revista Discutindo Filosofia. Ano 2. n.11. São Paulo: Escala Educacional, 2008. p.32 e 33.


quarta-feira, 7 de maio de 2008

Pensamento jurídico nas bancas

Com sua 24a edição nas bancas, a REVISTA VISÃO JURÍDICA é um veículo interessante de divulgação do pensamento jurídico nacional.
Destacamos a matéria de capa, a proposta formulada pelo IBDFAM - Instituto Brasileiro de Direito de Família que toma forma de projeto-lei para a positivação do PARTO ANÔMIMO em nosso país. Opiniões pós e contra a medida são apresentadas, restando a indicação de fontes para aprofundamento da discussão.
Outros destaques são as DICAS DE PREPARAÇÃO PARA CONCURSOS PÚBLICOS e O SIMULADO COM 80 QUESTÕES DO PROGRAMA PARA O CARGO DE DELEGADO DA POLÍCIA CIVIL.
Se o veículo pretende dar ciência das novas paltas e debates jurídicos, ele cumpre seu papel, contudo, a leitura aprofundada nunca deve ser dispensada.