sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Lugar de dizer adeus: refletindo sobre forma e conteúdo


O "lugar de dizer adeus" deixou de estar localizado no âmbito privado e com o tempo publicizou-se. Refiro-me a ele posto que, neste último dia 19 de outubro, uma grande amiga teve de pronunciar essa dolorosa frase para sua mãe.

Como costumo comparecer a tais locais de despedida para dividir meu pesar (conteúdo) com os parentes presentes e saio rapidamente das proximidades do esquife, tenho tempo de parar para orar e meditar um pouco.

Assim fiz, sentado à sombra de uma àrvore nativa do agreste pernambucano, pequena e com poucas folhas, contudo, bastante acolhedora.

Observei o local e sua estrutura (forma): terreno plano e descampado, lápides rasteiras, polidas e decoradas, dispostas para não poluírem a paisagem, ruas e lotes, todos planejados para facilitar a localização, toda a área verde natural substituída por brita e outras pedrarias, área de visitação ampla, arejada, pintada com tons pasteis, assessoria completa de serviço funerário com departamento de transporte, decoração e marketing a postos.

Pensei com meus botões: será que a publicização ocorreu no sentido de substituir a primeira privatização (familiar) por outra (comercial)? Sentado em meio aquele silêncio notei muito mais procupação com a "forma" do que com o "conteúdo", este último, restrito ao íntimo de cada um daqueles que estavam lá para unicamente dizer adeus, parecia, contudo, diminuído em importância e em número, mas, felizmente, era só aparência!

É amigos, tudo mesmo tende a virar combustível para o circo do capital.

Beijos, Ju!

sexta-feira, 12 de outubro de 2007

ÍntimoEncontroEmEspaçoPúblicoPrivatizado


Todo instinto nega-se a render-se às rédeas da razão e no momento em que surge tende a privatizar o que é público, como se a nau do tempo lançasse âncora em uma praça qualquer e o seu espaço verde e agre ganhasse paredes, portas e chaves, como se todos os olhos fitassem horizontes além de nós, como se a invizibilidade nos cobrisse a ambos e nada mais importasse além do seu, do meu, do nosso sentir! Amotelhetbmeuzamô!