segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Palestra na Escola Superior de Advocacia em Pernambuco


Nesta segunda feira, 17/09, tivemos a honra de ministar o mini-curso na Escola Ruy Antunes (OAB/PE), sob o tema:


DEBATE JURISDICIONAL BRASILEIRO EM TORNO DA ANENCEFALIA FETAL


A platéia era seleta, formadas por estudantes e pesquisadores da graduação e da pós, além de representantes da Biomedicina pernambucana e da academia jurídica estadual, as Dras. Catarina Oliveira (ASCES/UNICAP/OAB), Adriana Rocha (UNICAP/ESMAPE), Tarciana Beltrão (ASCES/PPGD/UFPE) e o Msc. Venceslau Tavares (ASCES/UFPE/Escola Ruy Antunes), nos brindaram com suas pertinentes e abalizadas avaliações críticas.


No decorre das três horas de sua duração, tornamos público o resultado de nossa análise retórico-argumentativa no debate jurisdicional pátrio, travado em nossa Corte Constitucional, acerca da temática desta deformidade fetal de natureza grave. Pontuamos pela isostenia discursiva e pela necessária revisão de nosso arsenal dogmático sob a égide de um paradigma contemporâneo, que nomeamos de complexidade, em oposição ao moderno, denominado de paradigma da simplicidade. Toda a investigação foi realizada no Mestrado em Teoria Geral e Filosofia do Direito da UFPE e encontra-se em fase de exame de qualificação para a obtenção do título de mestre nos próximos meses deste ano.


Todos os presentes participaram e podemos demonstrar como a retórica pode ter um papel central como antídoto quanto à discursos arbitrários e anacrônicos, servindo também de instrumento de análise da qualidade democrática do discurso forense.


Agradecimentos especiais aos docentes e amigos citados acima, bem como aos professores e alunos do PPGD/UFPE da linha de pesquisa intitulada de retórica e decisão jurídica.
Informamos que convites da OAB, Subseccional Caruaru/PE, bem como da Graduação da UFPE e da UNICAP foram feitos e estão para terem suas datas confirmadas, demonstrando a pertinência do estudo realizado.


"Em um mundo onde não vislumbramos a verdade, resta-nos a verossimilhança, a persuasão e a esperança no consenso".

sexta-feira, 7 de setembro de 2007

Os universos (im)possíveis de Escher


Mauritius Cornelius Escher (1898-1972) deixou essa dimensão existencial quando nela eu adentrei, talvez por isso a continuidade de seu interesse plástico esteja em mim por esses já 35 anos de estada na matéria.


Este holandês trocou a Arquitetura pelas Artes Plásticas, e nestas desenvolveu uma técnica de reprodução de cópias múltiplas, utilizando-se de pedra, madeira e metal como repositório de suas inspirações.


Nos anos trinta (1935) residiu em Granada, onde os arabescos geométricos do Castelo de Alhambra colonizaram por completo seu olhar e seu senso estético. Tais memórias foram logo assimiladas ao já existente conhecimento matemático, produzindo um estilo peculiar de retratar as mesmas, condensado na seguinte frase: "a vida só pode ser percebida pelos contrastes".


Tal expressão artística foi retratada pela Psicologia da Gestalt como sendo "a lei da figura-fundo", onde o contraste de luz e sombra, concretrizado em gravuras como síntese e antítese, levou a consciência a focar as figuras iguais em primeiro plano, enviando as figuras contrárias ao plano segundo (subliminar), dando vida assim a um caleidoscópio que vai do imaginário possível ao impossível, gerando desta forma um turbilhão mental de ilusões de óticas que interprenetam variadas versões de mundo, que em seu conjunto põem em cheque as leis físicas de sua época.


Usando o racionalismo ao seu favor, questiona-o, introduzindo no interior do logicamente possível paradoxos ocultos na forma de enígmas oculares. Em suma, este artista era um "escritor" peculiar que criava com tinta textos perceptíveis à visão, ou seja, produzia "gritantemente!" um discurso "silensioso" esclusivo para olhos bem abertos.


Apreciemos ou escutemos sua obra? A resposta pouco importa, quando o que interessa aqui é sentí-la!