segunda-feira, 28 de maio de 2007

Refletindo em voz alta 1


Somos humanos, apesar de perfectíveis! Muitas vezes nos sentimos especiais e angariamos assim forças para enfrentarmos tudo o que há de externo em nós, contudo, fraquejamos diante da necessária viagem aos labirintos e porões de nós mesmos. Para observadores distantes podemos parecer perfeitos demais, mas para aqueles próximos, nossas imperfeições borram qualquer maquilagem. Só que, tanto nós quanto eles, sofremos e fazemos sofrer! No que somos diferentes? No que somos iguais? Somos então humanos ou animais?

Boas vibrações sonoras


Dica fonográfica: "Enquanto o sol brilhar" é o novo recado sonoro da banda Catedral. Trata-se do priméiro registro fonográfico sem a presença física ou conceitual do guitarrista Cézar (morto em um acidente automobilístico em 2003). Kim, Júlio e Guilherme mostraram que "nada mudou", há apenas evolução! Essa banda mata um pouco a saudade da "Legião Urbana", pelo timbre de voz e pelo lirismo das composições. Mesmo que não admitam, as contratações do tecladista e produtor Carlos Trilha (Renato Russo Solo) e do guitarrista Fred Nascimento (banda de apoio da Legião Urbana) falam por si. Ouça no volume máximo!


1. Enquanto o Sol Brilhar
2. Estrelas do Amanhã
3. Não Tenho Medo
4. Um E-Mail
5. O Botão do Elevador
6. O que Vamos Fazer?
7. Amar Você
8. Falaming Star
9. Sampa a Dois
10. Viva o Povo Brasileiro
11. Pão e Circo
12. Amnésia
13. Templo
14. Meu Amor Primeiro

Posner: Filosofia, Direito e Pragmática

Dica literária: Qual a relação entre direito e política? Tradicionalmente recebemos duas respostas: 1) metafísica: o Direito é mais amplo que a política e pode fornecer uma resposta correta para as mais difíceis questões; 2) niilista: a Política contém o Direito e todas as respostas fornecidas por este são sempre arbitrárias. O jurista americano Richard A. Posner renega as duas e defende uma resposta pragmática: a qualidade de cada resposta jurídica é dimensionada pelo exame das consequências de sua aplicação. Uma ótima leitura para as férias!

Sapatos novos em caminhos percorridos


Dica cinéfila. Um adolescente amargurado por uma educação conservadora. Uma excêntrica e veterana atriz de cinema e teatro. Um encontro que possibilitará novas vivências e interpretações para ambos. Divirtam-se!

domingo, 20 de maio de 2007

Afeto, criminalidade e gênero


Dica literária. Elaine Pimentel Costa, alagoana graduada em Direito pela UFAL, mestre e doutoranda em Sociologia pela UFPE, é referência certa nos debates envolvendo afetividade, criminalidade e gênero. Esta obra é fruto de sua dissertação, observa e analisa como as teias afetivas levam mulheres, que não se consideram criminosas, a serem rotuladas com o estigma normativo de traficantes. Sua escrita é literária, sem prejuízo às exigências formais da academia, proporcionando uma leitura agradável. Amparada em vasta bibliografia, é porta de entrada para o melhor do discurso sociológico atual. O lançamento pernambucano ocorrerá em 23 de maio, às 16:00h, na ASCES/Faculdade de Direito de Caruaru. Após a palestra da autora, seguir-se-á a sessão de autógrafos. Imperdível!

Sobre miopia e STF


Uma pessoa míope consegue ver objetos próximos com nitidez, mas os objectos distantes são visualizados como se estivessem desfocados. Essa parece ser a postura do Supremo Tribunal Federal quando anunciou uma futura audiência pública para debater a proposta dos autores da ADPF n. 54/2004: possibilidade de antecipação terapêutica do parto em caso de diagnóstico positivo de deformidade fetal grave. Por isso a referência à miopia: o objeto analisado, o fenômeno vital humano, se lhes apresenta sem nitidez, pois está distante da estrutura macroscópica com a qual é lido, tanto pelo discurso pró-escolha, quanto pelo discurso pró-vida, defensores de um ponto final para o debate. Buscamos não tormar partido, mas apenas analisar os argumentos de ambas as propostas, apontando suas limitações. Concluímos pela necessidade de discutir o tema sob outro prisma, intedisciplinar e contextualizado, sem grandes pretensões e sem miopias, sob a égide do princípio da precaução, frente às temáticas biotecnológicas como esta. Ver FALCÃO, Pablo R. de L. Anencefalia e Direito no Brasil contemporâneo: uma análise retórica. in: Maceió: Revista de Estudos Sócio-Jurídicos da SEUNE/ Sociedade de Ensino Universitário do Nordeste. n. 4. jan/jun. 2007. No prelo. Previsão de lançamento: Agosto de 2007.

Boventura e o fado de pentecostes


A obra do professor luzitano Boaventura de Souza Santos é a inspiração para o título deste blog, ela também intitula um artigo jurídico desenvolvido por nós no Mestrado em Direito do PPGD/UFPE em 2007, com o qual batizamos essa postagem. Os pontos principais de suas reflexões são: o contexto de dupla influência paradigmática (modernidade e pós-modernidade), a superação da dicotomia epistemológica moderna (senso esclarecido apartado do senso comum) com o conseqüente renivelamento do discurso e a tomada de consciência dos limites da racionalidade moderna. Participar de discursos diversos, eis o desafio lançado pelo fado do professor português. A foto acima foi tirada na UFPB/Faculdade de Direito da Paraíba em 2006, celebrando o lançamento da obra "A gramática do tempo: para uma nova cultura política", após a assinatura do compromisso para o ingresso do autor no corpo editorial da Revista Eletrônica da ASCES/Faculdade de Direito de Caruaru/PE, ele autografou os exemplares de meu acervo pessoal. Um sonho realizado!

Clarisse Lispector e a primazia do não-entender


Dica poética. Indicação do meu ex-aluno Danilo Mergulhão: "Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo." Reflita-mos!

O mentor da Escola Retórica do Recife/PE



Um título merecido. A obra de João Maurício Adeodato marca o estado atual da pesquisa no PPGD/UFPE e lança interrogações sobre certas certezas anacrônicas ainda presentes no discurso jurídico periférico. À frente do grupo de estudos intitulado "história da retórica das idéias no Brasil", o pesquisador vem demonstrando como é possível desenvolver reflexões próprias e contextualizadas acerca do agir jurídico na contemporaneidade. A foto acima foi tirada durante o Congresso da ASCES/Faculdade de Direito de Caruaru em 2006 que o teve como homenageado. Ver o seu "Ética e Retórica", editora Saraiva. Leitura obrigatória!

Anjos da vida


Dica cinéfila. O roteiro mostra como um exemplo pode valer mais que mil palavras. Kevin Costner (Bem Randall) é o único sobrevivente de um acidente fatal causado por uma tempestade. Depois do acidente ele é enviado para ensinar, contra sua vontade, na Escola de Elite o programa de treinamento que transforma jovens recrutas nos melhores e mais corajosos nadadores de resgate. O professor modifica todo o programa de treinamento com seus métodos de treinamento mais'reias que teóricos, pois trás a consciência de que, um dia, seus alunos terão que tomar a difícil decisão entre quem vai viver e quem vai morrer. Diversão garantida!

Bossa 'n Marley



Dica fonográfica: de minha aluna Monise Carvalho. As re-leituras das músicas do poeta jamaicano ganharam ares contemporâneos com as batidas eletrônicas e a ambientação mantrica do estilo Lounge. Trilha sonora perfeita para escutar bem acompanhado em uma banheira cercada de velas aromáticas. Good vabrations!
1. Redemption Song
2. No Woman no Cry
3. Buffalo Soldier
4. I Shot the Sheriff
5. Stir it up
6. Sun is Shining
7. Positive Vibration
8. Is This Love
9. Get Up Stand Up
10. One Love
11. Could You Be Loved
12. Waiting in Vain

Regras para o parque humano


Dica literária do pensador inquieto da Escola do Recife, Alexandre da Maia. A obra de Peter Sloterdijk é uma resposta à carta de Heidegger sobre o humanismo. O escritor medita acerca de um mundo onde deuses (metafísica) e pensadores (filosofia) abandonaram seus postos, deixando uma sociedade orfã, composta por individualidades que perderam quase totalmente sua capacidade de aderência ao outro. Tudo o que lhes sobra são indagações escritas que nos foram remetidas do passado; estas carentes de potencialidades de comunicação, já que os hodiernos não se põem mais como destinatários das mesmas. Seu silêncio resulta não da leitura destes textos, mas de sua postura de indiferença com seus signos mudos. Leitura obrigatória.

Nota aos navegantes

Este veículo foi criado para reflexões. Seu combustível? nossas dúvidas, inquietações e visões de mundo. Estamos cientes de que produziremos mais interrogações do que pontos finais, contudo, isto nos angustia bem menos que a inércia do pensamento daqueles que são mais carne do que espírito. Ao menos para atender a esta seleção, o meio virtual nos serve perfeitamente: trata-se de uma ambiente averso à toda materialidade! Sendo assim, sejam bem vindos todos aqueles que transcenderem tal limitação!